Tons Soturnos Minhas Nênias Benvindamente Maldiçoadas

Isto tudo não é mais do que um ensejo voltívolo de precipitação etérea e amorfa, vinculado a pensamentos e devaneios semi-insandecidos profusos de bestas e musas acorrentadas no quarto no fundo do abismo orcal, cheio de caixas vazias e livros lidos, onde surrealmente existe uma canção que permeia todo o vergel subterrâneo de meu ilustre e profano claustro, de minha pessoa, maldita e serena, ecoando alto em notas surdas, num silêncio eloqüente e impronunciado, no qual minha meia máscara pútrefa, roteja às vistas de Meu Honorável Senhor, pingando misérias, borbotões de sânie vermal e alguns sarcasmos, ironias e ensaios libidinosos subliminarmente permeantes em sentenças que traem sua natureza ninfômana, libertina e esbórnica.

VonGraff

quarta-feira, novembro 10, 2010

Deixando os Recintos da Vida

Estou abrindo mão do Éden
pois já não sou uma parte inata
do quadro tão belamente pintando e profetizado
tão sincera e inocentemente cultivado
genuínamente cristalino e plenamente perfeito

Não obstante jáz em mim trâmite maior
que não controlo e nem sigo
tal manifesta-se não se manifestando
causa engano e revolte sem mesmo um dano
confunde e desagrega benquerença

ah e tal compunção ha de me assaltar
com justiça e retidão e uma espada a me visar
mas estão debatendo-se mortos os meus remorsos, sentires, e meus bons séquios agora, no ensejo da aurora

quem é tal quimera que devorou bestialmente
tal pigmaleão contemplado
quem é tal que foi capaz de ruir audazmente
tão potento amor pitagórico realizado

Em sua esteira borbulha sublevação, pejo
denegrido, grito interrompido, meu soluço
contido, um aune partido, mácula ascosa
a arder
premente desalento a esganar

todo e qualquer pensamento de um dia voltar


Quero ir para não voltar
morrer e calar para nada jamais despertar
congelar e entenebrecer para não mais
comover seres ingênuos e donzéis

Quero voltar para minha ignômiedade
silenciado na minha parva e redundante
nulidade, e lá afundar no mar do meu vazio
pois do apreço que me tiveras -oh Nume!-
nada mereço
sequer escarro,
ou comiseração desdenhosa
sob irônico soslaio...


L.V.I. Von Graff

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